Como abrir um negócio do zero: 11 passos para tirar a ideia do papel

Sumário
- Antes de começar: empreender é para você?
- 1. Encontre e lapide sua ideia de negócio
- Defina o seu “porquê”
- Considere uma franquia
- 2. Pesquise o mercado e conheça seu público
- Pesquisa primária e secundária
- Qual é o tamanho da oportunidade?
- Quem são seus concorrentes?
- Quem é o seu cliente ideal?
- Faça uma análise SWOT
- Conheça as regras do setor
- 3. Escreva seu plano de negócios
- O que um plano de negócios costuma ter
- Escolha o nome da empresa
- Defina onde o negócio vai funcionar
- Pense em um modelo que possa crescer
- Tenha uma estratégia de saída
- 4. Calcule quanto precisa e defina como vai financiar
- Levante os custos iniciais
- Calcule o ponto de equilíbrio
- Gaste só com o essencial
- Conheça as opções de financiamento
- 5. Escolha o formato jurídico da empresa
- Negócio individual
- Sociedade
- Sociedade limitada
- Sociedade anônima
- O que considerar na escolha
- 6. Formalize a empresa: registro, CNPJ e licenças
- Registro e contrato social
- CNPJ
- Inscrições estadual e municipal
- Licenças, alvarás e habilitações
- Impostos e obrigações fiscais
- 7. Abra uma conta bancária empresarial
- 8. Contrate um seguro empresarial
- Tipos comuns de seguro empresarial
- 9. Escolha ferramentas, sistemas e fornecedores
- Ferramentas que ajudam na gestão
- Escolha bem os fornecedores
- 10. Monte sua equipe
- Funções que você pode querer contratar
- Onde encontrar profissionais
- 11. Divulgue seu negócio
- Construa sua marca
- Crie um site ou loja virtual
- Apareça nas buscas
- Use as redes sociais
- Crie um plano de marketing
- Peça permissão para se comunicar com os clientes
- Como impulsionar as primeiras vendas
- Depois do lançamento: faça o negócio crescer
Seja o seu primeiro empreendimento ou o décimo, alguns passos continuam valendo para quem quer abrir um negócio. Eles ajudam a encontrar uma boa ideia, testar se ela tem chance de dar certo, planejar a operação, formalizar a empresa e, por fim, lançar o seu produto ou serviço. Este guia funciona como uma lista de verificação para quem quer entender, de forma prática, por onde começar.
Escolher um nome e criar um logotipo são tarefas que todo mundo lembra de fazer. Outras, como definir a estrutura jurídica, organizar as finanças e planejar a divulgação, costumam ficar para depois, e a lista de pendências cresce rápido. Além disso, empreender não é simples nem garantia de sucesso: dados do IBGE divulgados em 2021 mostraram que menos de 40% das empresas criadas no Brasil continuavam em atividade depois de cinco anos. Seguir um roteiro ajuda a não deixar nada importante de fora.
Em resumo:
- Planejar bem é essencial, mas nenhum plano elimina os imprevistos: quem empreende com sucesso aprende a se adaptar quando o cenário muda.
- Uma boa pesquisa de mercado, que olhe para o setor e para o perfil dos possíveis clientes, é a base de um plano de negócios consistente.
- Formalizar a empresa, separar as finanças pessoais das do negócio e contratar as proteções certas evita muitos problemas mais adiante.
- Antes da primeira venda, vale começar a construir a marca e reunir um público interessado, para que o lançamento já encontre gente esperando.
Antes de começar: empreender é para você?
A ideia de trabalhar com o que gosta ou de ser o próprio chefe é atraente, mas empreender não se resume a isso. Quem abre um negócio também precisa saber identificar boas oportunidades, liderar, tomar decisões, tolerar riscos, ser criativo e estar disposto a lidar com burocracia. Antes de dar qualquer passo, reflita com sinceridade se esse perfil combina com você.
Também ajuda chegar com a mentalidade certa. Sucessos que parecem ter surgido da noite para o dia quase sempre escondem anos de preparação, por isso concentre-se na sua própria jornada e evite comparar seus resultados com os dos outros. O entusiasmo do início costuma diminuir com o tempo; são os hábitos e uma rotina consistente que mantêm o negócio andando quando a motivação cai.
Há quem parta para a ação sem planejar nada e quem fique preso na análise e nunca comece. Para fugir dos dois extremos, anote todas as etapas necessárias para chegar ao seu objetivo, coloque-as em ordem e concentre-se sempre no próximo passo. Algumas etapas levam minutos; outras, meses.
1. Encontre e lapide sua ideia de negócio
O primeiro passo é descobrir o que você quer oferecer. Encontrar uma ideia para um pequeno negócio não precisa depender de sorte ou de um momento de inspiração: dá para fazer isso de forma organizada. Observe problemas do dia a dia que ainda não têm uma boa solução, pense nas suas habilidades e no que as pessoas ao seu redor costumam procurar.
Muitos conselhos dizem para transformar em negócio aquilo que você ama, mas esquecem dois pontos importantes: a ideia precisa dar lucro e precisa ser algo em que você é bom. Se ainda não tem clareza sobre o que fazer, responda a algumas perguntas:
- O que você gosta de fazer?
- O que você detesta fazer?
- Existe alguma forma de tornar essas tarefas mais fáceis, para você e para outras pessoas?
Se você já sabe o que gostaria de vender, comece com uma pesquisa rápida sobre as empresas que atuam nesse setor. Observe o que as marcas de referência fazem e pense em como fazer melhor. A ideia não precisa ser uma invenção revolucionária: oferecer algo que os concorrentes não oferecem, entregar a mesma coisa com mais rapidez ou por um preço menor, ou simplesmente melhorar um produto que já existe pode ser um ponto de partida sólido.
Fique atento à concorrência por perto. Se você adora fazer sabonetes artesanais, mas a sua cidade já tem três lojas do tipo, conquistar espaço vai ser mais difícil do que parece.
Defina o seu “porquê”
Saber por que você quer abrir aquele negócio faz diferença em todas as decisões que vêm depois. Esse motivo precisa ir além de ganhar dinheiro, porque é ele que ajuda a atravessar os altos e baixos de empreender. Vale distinguir se a motivação é principalmente pessoal (realizar um sonho, ter mais autonomia, trabalhar com o que gosta) ou se nasce de uma necessidade real do mercado. As duas coisas podem andar juntas, mas um negócio organizado em torno de resolver um problema dos clientes tende a ir além dos objetivos de quem o criou. Quando o foco fica só nas próprias vontades, o risco é construir algo que faz sentido para você e para mais ninguém.
Alguns exemplos de propósito: fazer diferença na sua comunidade, ajudar pessoas a realizar seus sonhos, causar um impacto positivo no meio ambiente ou atender a uma necessidade que ninguém atende bem. Imagine uma família com uma criança autista que adora viajar, mas tem dificuldade para encontrar passeios e destinos preparados para receber famílias como a sua. Dessa experiência pode nascer uma agência especializada em viagens adaptadas para pessoas autistas.
Antes de escrever o plano de negócios ou fazer listas de nomes, tenha clareza sobre o valor que a ideia vai gerar: primeiro defina o que o negócio entrega e para quem; depois, escolha um nome que comunique isso. Se o projeto não desperta seu entusiasmo ou se não há mercado para ele, talvez seja melhor considerar outras alternativas antes de investir tempo e dinheiro.
Considere uma franquia
Outra possibilidade é abrir a franquia de uma marca já conhecida. Nesse caso, a ideia, o reconhecimento do público e o modelo de negócios já estão prontos. O que você precisa é de um bom ponto, de recursos para bancar a operação e de disposição para seguir as regras do franqueador. Antes de assinar, leia o contrato com atenção, converse com outros franqueados e entenda todos os custos envolvidos.
2. Pesquise o mercado e conheça seu público
Uma das melhores formas de começar com o pé direito é estudar o mercado. O objetivo é entender o público que você quer atender, os concorrentes que já disputam esse espaço e as regras do setor, para montar um plano de negócios mais realista. A pesquisa também ajuda a confirmar se o segmento combina com o seu perfil e se você consegue oferecer o que esse público precisa.
Pesquisa primária e secundária
A pesquisa primária coleta informações diretamente com potenciais clientes, por meio de questionários, entrevistas e grupos de discussão. A secundária usa dados que já existem, como estatísticas públicas, dados do censo, estudos do setor e o que as pessoas procuram nos buscadores. Ela costuma ser mais rápida, mas menos detalhada.
Evite basear a pesquisa só em amigos e familiares, a menos que eles sejam de fato o seu público. Há uma grande diferença entre quem diz que compraria e quem realmente compra, e muita gente cria um produto apoiada em promessas que nunca se transformam em vendas.
Qual é o tamanho da oportunidade?
Muitos empreendedores desprezam mercados pequenos. É verdade que o tamanho do mercado precisa combinar com as suas ambições, mas o potencial de um nicho depende de vários outros fatores. Uma categoria de produto com relativamente poucos clientes, mas com preço mais alto e compras recorrentes, pode ser uma oportunidade bastante interessante, e quem olha apenas para o tamanho do mercado corre o risco de deixá-la passar.
Quem são seus concorrentes?
Como é o cenário competitivo no mercado que você quer atingir? Quando existem muitas empresas no mesmo nicho, isso costuma indicar um mercado maduro. É um bom sinal de que existe demanda, mas também exige que você se diferencie para chamar a atenção do cliente. Observe o que os concorrentes fazem bem, onde deixam a desejar e do que os clientes reclamam.
Se o mercado estiver saturado na sua região, pense em uma abordagem diferente. Uma empresa de limpeza, por exemplo, pode se especializar em casas com animais de estimação ou em limpeza de garagens em vez de oferecer serviços gerais. Os pequenos negócios que se destacam costumam ter um diferencial claro, e é exatamente isso que credores e parceiros vão querer saber se você buscar financiamento: o que torna a sua proposta única?
Quem é o seu cliente ideal?
Público-alvo é o grupo de pessoas para quem você pretende vender seus produtos e serviços. Um erro comum é abrir um negócio sem pensar em quem serão os clientes e por que eles comprariam de você, e não de outra empresa. Conhecer esse público inclui saber do que ele gosta, quais são as suas necessidades, como pensa e quais são os seus hábitos de consumo. Valores e cultura também pesam: o que faz sucesso com um público pode não funcionar com outro.
Criar personas, que são perfis que representam os seus clientes ideais, facilita atrair as pessoas com maior potencial de compra e ajuda em várias frentes, do engajamento nas redes sociais ao retorno dos anúncios pagos. Pergunte-se também por que você quer atender esse público. Você gosta de facilitar a vida das pessoas? Quer criar produtos que tragam mais cor e beleza ao dia a dia de alguém? As respostas ajudam a definir a missão do negócio e a forma de comunicar o valor do que você oferece.
Faça uma análise SWOT
A análise SWOT (forças, fraquezas, oportunidades e ameaças) mostra como o seu produto ou a sua ideia pode se sair quando chegar ao mercado e ajuda a decidir a direção a seguir. Ela pode revelar pontos fracos que você não tinha considerado ou oportunidades para melhorar algo que um concorrente já oferece.
Conheça as regras do setor
Aproveite a pesquisa para levantar as regras e a legislação que as empresas do segmento precisam cumprir. Assim, você já se prepara para atendê-las caso decida seguir em frente.
3. Escreva seu plano de negócios
Com a ideia definida, chega a hora de responder a perguntas importantes. Qual é o propósito do negócio? Para quem você vai vender? Aonde quer chegar? Como vai pagar os custos iniciais? O plano de negócios reúne essas respostas em um só lugar e funciona como um roteiro: detalha o negócio, o mercado e o público-alvo, define metas e etapas e prevê o tempo, os recursos e o dinheiro necessários para cada uma delas. Mesmo que você não vá buscar financiamento, ele ajuda a colocar as ideias em prática de forma organizada e a enxergar problemas antes que eles aconteçam.
Também é importante ter clareza sobre aquilo que você ainda não sabe. Reconhecer essas lacunas não significa que você precisa resolver tudo agora, mas é muito melhor saber onde estão os pontos em aberto do que ser pego de surpresa, principalmente na hora de buscar financiamento, quando alguém pode fazer perguntas para as quais você ainda não tem resposta. E, se não houver sinais de que existe demanda para a sua ideia, é melhor descobrir isso no papel do que depois de abrir as portas.
O que um plano de negócios costuma ter
- Sumário executivo: apresenta o negócio, os objetivos e como pretende alcançá-los. Fica no início do plano, mas deve ser escrito por último.
- Descrição da empresa: o problema que o seu produto ou serviço resolve e por que a sua proposta é a melhor para resolvê-lo.
- Análise de mercado: público-alvo, segmentação, tamanho e crescimento do mercado, tendências e concorrência.
- Gestão e organização: o formato jurídico da empresa, quem fará parte da gestão, as qualificações de cada pessoa e como os riscos serão administrados.
- Missão e metas: o que a empresa quer realizar e as etapas para chegar lá. As metas devem ser específicas, mensuráveis, orientadas para a ação, realistas e com prazo definido (o chamado método SMART).
- Produtos e serviços: o que será oferecido no início, como isso se compara ao que a concorrência oferece, quanto vai custar produzir, de onde virão os materiais e quem será responsável pela produção.
- Plano de marketing: como o negócio vai ser divulgado, quanto será investido e por quanto tempo.
- Logística e operações: como a empresa vai funcionar no dia a dia.
- Plano financeiro: talvez o coração do plano, porque sem dinheiro o negócio não avança. Inclui o orçamento e projeções como demonstração de resultados, balanço e fluxo de caixa, geralmente para os cinco anos seguintes, além do pedido de financiamento, se você for buscar recursos de terceiros.
Na hora de colocar tudo no papel, modelos prontos podem servir de ponto de partida, e o Sebrae oferece materiais de orientação sobre o tema.
Escolha o nome da empresa
O nome da empresa está presente em todo o seu marketing: aparece na fachada, no site, nas redes sociais, nas embalagens e em cada contato com o cliente. Por isso, aposte na simplicidade. Procure um nome que deixe claro o que você faz, que seja curto, fácil de lembrar e coerente com a missão do negócio. Alguns testes com pessoas de confiança ajudam a chegar a uma boa opção. Se possível, garanta também um domínio de internet com o mesmo nome, para facilitar a sua presença on-line.
No Brasil, toda empresa tem uma razão social, que é o nome oficial que consta no registro, e pode usar também um nome fantasia, que é aquele pelo qual os clientes a conhecem. Antes de bater o martelo, verifique se o nome escolhido já não é usado por outro negócio do mesmo ramo ou registrado como marca. Uma consulta à base do INPI, o órgão responsável pelo registro de marcas no país, ajuda a evitar dor de cabeça, e registrar a sua própria marca pode proteger o negócio no futuro.
Defina onde o negócio vai funcionar
Alguns negócios podem funcionar apenas pela internet; outros precisam de um ponto físico. Nesse caso, a escolha não pode se basear só na intuição ou no que é mais conveniente para você. Ela precisa ser estratégica, porque um ponto bem localizado e de fácil acesso para os clientes influencia as chances de sucesso do negócio.
Pense em um modelo que possa crescer
À medida que a empresa cresce, é importante que o modelo de negócios seja escalável, ou seja, que consiga atender mais clientes sem que os custos aumentem na mesma proporção. Alguns exemplos comuns são os negócios por assinatura, a venda de produtos digitais, as franquias e os negócios de marketing na internet.
Tenha uma estratégia de saída
Também vale incluir no plano uma estratégia de saída: como você deixaria o negócio se decidisse se aposentar ou partir para outro projeto. As opções mais comuns são vender a empresa, passá-la para a família, transferir sua parte para um sócio ou encerrar as atividades de forma organizada, vendendo os bens do negócio. Esse ponto é especialmente importante para quem busca financiamento, e uma saída bem planejada também ajuda a obter o máximo valor pela empresa.
Quem está começando costuma ficar tão empolgado com a ideia que nem pensa nisso. Mas planejar a saída não é pessimismo; é prudência. Ao entrar em um avião, uma das primeiras coisas que a tripulação mostra é onde ficam as saídas de emergência. Com uma empresa, a lógica é parecida: ter rotas de saída definidas com antecedência ajuda a preservar o valor do negócio e evita conflitos, inclusive entre familiares e sócios.
4. Calcule quanto precisa e defina como vai financiar
Todo negócio tem custos, e você precisa saber como vai pagá-los. Você tem recursos próprios para começar ou vai precisar de dinheiro emprestado? Se pretende largar o emprego para se dedicar à empresa, tem uma reserva que permita se sustentar até o negócio começar a dar lucro? O plano de negócios vai ajudar você a calcular quanto dinheiro precisa para começar e por quanto tempo a empresa consegue se manter até se pagar.
Levante os custos iniciais
Liste os materiais e equipamentos necessários, estime o custo dos serviços profissionais que vai contratar, os valores de licenças e registros, o aluguel do espaço e, se for o caso, os salários e encargos da equipe. Muitos negócios fecham porque o dinheiro acaba antes de o lucro aparecer, e pode levar um bom tempo até a empresa gerar receita suficiente para se sustentar. Por isso, é melhor superestimar os custos do que subestimá-los. Muitos especialistas recomendam ter dinheiro suficiente para cobrir as despesas da operação por seis meses.
Calcule o ponto de equilíbrio
O ponto de equilíbrio é uma ferramenta básica de planejamento financeiro: ele mostra a partir de quando o negócio, um produto ou um serviço passa a dar lucro. A fórmula é simples:
Ponto de equilíbrio = custos fixos ÷ (preço de venda − custo variável por unidade)
A diferença entre o preço de venda e o custo variável de cada unidade é a chamada margem de contribuição. Veja um exemplo: imagine um pequeno negócio que vende casinhas de passarinho em miniatura para decorar jardins. Os custos fixos do primeiro mês são de R$ 500, cada casinha custa R$ 0,40 para ser produzida e é vendida por R$ 1,50. A conta fica R$ 500 ÷ (R$ 1,50 − R$ 0,40), ou R$ 500 ÷ R$ 1,10, o que dá 454,5; arredondando para cima, 455 unidades. Ou seja, é preciso vender pelo menos 455 casinhas no mês para cobrir os custos; a partir daí, o negócio passa a ter lucro.
Essa conta mostra o desempenho mínimo que a empresa precisa alcançar para não ter prejuízo e é útil por três motivos:
- Medir a lucratividade: quanto preciso faturar para cobrir todas as despesas? Quais produtos ou serviços dão lucro e quais são vendidos no prejuízo?
- Definir preços: quais são os meus custos fixos, quais são os variáveis e qual é o custo total? Quanto custam os materiais e a mão de obra?
- Planejar metas: quantos produtos ou serviços preciso vender para ter lucro? Como posso reduzir os custos fixos, diminuir o custo variável por unidade ou aumentar as vendas?
Gaste só com o essencial
Evite gastar demais no começo. É comum ver empresas recém-criadas com um escritório muito maior do que a equipe, equipamentos pensados para grandes empresas e contratos de serviços que quase ninguém usa. No início, concentre os recursos no que é essencial para a sobrevivência e o crescimento do negócio e acompanhe as despesas de perto. O conforto pode vir depois, quando a empresa estiver mais firme.
Conheça as opções de financiamento
O dinheiro para começar pode vir de várias fontes, e a melhor alternativa depende do seu histórico de crédito, do valor necessário e das opções disponíveis para o seu perfil. Muitas pequenas empresas combinam mais de uma:
- Recursos próprios e de pessoas próximas: poupança, cartão de crédito ou dinheiro de amigos e familiares. É o caminho mais acessível, mas tem riscos: se o negócio não der certo, você perde parte do seu patrimônio ou fica com dívidas no cartão, e o dinheiro de conhecidos pode gerar ressentimento e tensão.
- Empréstimo para empresas: bancos, cooperativas de crédito e linhas voltadas a pequenos negócios são pontos de partida naturais, embora nem sempre seja fácil conseguir aprovação, sobretudo para quem está começando. O Sebrae costuma orientar empreendedores sobre o assunto. Compare juros, prazos, garantias exigidas e o custo total antes de assinar qualquer contrato.
- Linha de crédito empresarial: funciona de forma parecida com uma linha de crédito pessoal, com limite e juros definidos de acordo com a receita, o score de crédito e o histórico financeiro da empresa.
- Financiamento de equipamentos: se você precisa de máquinas ou equipamentos caros, é possível financiá-los ou recorrer ao arrendamento.
- Antecipação de recebíveis: a empresa vende a terceiros, com desconto, valores que ainda tem a receber dos clientes e recebe o dinheiro antes.
- Crédito de plataformas de venda ou de pagamento: algumas plataformas oferecem crédito a lojistas com base no histórico de vendas, muitas vezes com um processo mais simples do que o de um banco tradicional. Mesmo assim, avalie as condições com cuidado.
- Programas de fomento e editais: algumas instituições públicas e privadas oferecem apoio ou recursos que, diferentemente de um empréstimo, não precisam ser devolvidos. A disputa costuma ser grande, e muitas oportunidades são voltadas a setores, regiões ou perfis específicos de empreendedor, como negócios inovadores. Leia as regras com atenção.
- Investidores: negócios que precisam de muito capital logo no início podem buscar investidores-anjo ou fundos de capital de risco. Em troca do aporte, eles costumam ficar com uma participação na empresa e, muitas vezes, querem acompanhar de perto a gestão e opinar nas decisões.
- Financiamento coletivo: no chamado crowdfunding, você arrecada valores menores de muitos apoiadores pela internet. Existem plataformas para diferentes tipos de projeto, e a modalidade também serve para testar o interesse do público pela sua proposta.
Antes de decidir, compare os custos, os prazos e as exigências de cada alternativa, pense em quanto tempo a empresa terá para devolver o dinheiro, na sua tolerância ao risco e em quanto do controle do negócio você está disposto a dividir. Seja qual for a fonte, planeje o negócio para dar lucro desde o início.
5. Escolha o formato jurídico da empresa
Antes de registrar a empresa, você precisa decidir qual será o tipo de pessoa jurídica. Essa escolha influencia a forma como os impostos são calculados, a rotina da empresa e o quanto o seu patrimônio pessoal fica exposto se algo der errado. Escolher a estrutura certa significa equilibrar a proteção jurídica e financeira de que você precisa com a flexibilidade que cada formato oferece, de preferência com a ajuda de um contador e, se necessário, de um advogado.
No Brasil, entre as opções mais conhecidas estão o MEI, o empresário individual, a sociedade limitada e a sociedade anônima. Cada uma tem regras próprias, e o Sebrae costuma ser um bom ponto de partida para entender qual delas se encaixa no seu caso.
Negócio individual
Quem vai tocar o negócio sozinho pode optar por formatos individuais, como o MEI ou o empresário individual, que costumam ser os caminhos mais simples e com menos burocracia para abrir e manter. O ponto de atenção é que, nesses modelos, em geral não há separação entre o patrimônio pessoal e o da empresa: você responde pessoalmente pelas dívidas e obrigações do negócio. Mesmo trabalhando sozinho, é possível contratar funcionários, desde que dentro das regras do formato escolhido. Se o MEI parece ser o seu caso, veja os benefícios, as obrigações e o passo a passo para abrir um MEI.
Sociedade
Quando duas ou mais pessoas se unem para abrir uma empresa, elas se tornam sócias e dividem as responsabilidades. Encontrar parceiros com habilidades que complementem as suas é uma grande vantagem: você não precisa fazer tudo sozinho, e ter alguém para somar costuma ajudar o negócio a prosperar. Só deixe tudo bem combinado, e por escrito, desde o início, incluindo como a empresa será dividida e administrada.
Sociedade limitada
A sociedade limitada é um dos formatos mais usados por pequenas e médias empresas no Brasil. Como o nome indica, a responsabilidade de cada sócio, em regra, fica limitada à sua participação no capital da empresa, o que ajuda a proteger o patrimônio pessoal caso o negócio enfrente dívidas ou processos, embora existam exceções previstas em lei. Também existe a versão unipessoal, para quem quer esse tipo de proteção sem precisar de sócios.
Sociedade anônima
Na sociedade anônima, o capital é dividido em ações, e os acionistas são donos de partes da empresa. A pessoa jurídica é uma entidade distinta de seus sócios: pode ter bens, assumir obrigações, pagar impostos, assinar contratos, processar e ser processada. É o formato típico de grandes companhias e de empresas que pretendem atrair investidores em maior escala ou, no futuro, abrir capital na bolsa. Costuma envolver mais exigências e custos de manutenção do que os formatos mais simples.
O que considerar na escolha
- Onde fica a sua empresa: as leis do estado e do município também definem quais licenças são exigidas para começar a funcionar.
- Qual é a atividade: alguns formatos são mais adequados a empresas de determinado porte ou setor, e certas atividades não podem ser exercidas em todos eles. Às vezes, também é preciso mudar de formato para trabalhar com novos parceiros, já que empresas maiores costumam exigir que fornecedores sejam formalizados.
- Quantas pessoas participam: se você vai empreender sozinho, opções mais simples podem bastar. Se houver sócios, vale estudar formatos mais estruturados.
- Planos para o futuro: pense no que atende às necessidades de hoje, mas também aonde você quer chegar. O importante é conhecer as opções e entender as consequências de cada uma antes de bater o martelo.
6. Formalize a empresa: registro, CNPJ e licenças
Para funcionar dentro da lei, a empresa precisa de registros e licenças. Dependendo do tipo de negócio, o processo pode envolver órgãos das três esferas de governo: federal, estadual e municipal. Antes de começar, separe os documentos necessários e, se possível, conte com a ajuda de um contador, que pode orientar sobre todos os registros e cuidar dessa etapa para você.
Registro e contrato social
Para que a empresa passe a existir oficialmente, é preciso registrá-la. Nas sociedades, o documento de constituição é o contrato social (ou o estatuto social, no caso das sociedades anônimas), que reúne o nome da empresa, a atividade que ela vai exercer, a forma de organização, a divisão do capital entre os sócios e outras regras de funcionamento. Vale dedicar tempo a esse documento, porque ele orienta a relação entre os sócios e ajuda a evitar conflitos no futuro.
As exigências, os prazos e as taxas de registro variam conforme o tipo de empresa e o local onde ela vai funcionar. Informe-se na Junta Comercial do seu estado, na prefeitura ou com um contador sobre o que se aplica ao seu caso. Para quem vai se formalizar como MEI, o processo é mais simples e pode ser feito pela internet.
CNPJ
Com a empresa registrada, ela passa a ter um CNPJ, o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, administrado pela Receita Federal. Ele funciona para a empresa como o CPF funciona para você: identifica o negócio perante o governo, os bancos, os fornecedores e os clientes. Você vai precisar do CNPJ para:
- Contratar funcionários formalmente
- Emitir notas fiscais
- Registrar uma sociedade com outros sócios
- Comprar de muitos fornecedores e atacadistas
- Abrir uma conta bancária empresarial
- Fechar contratos com empresas que só trabalham com fornecedores formalizados
Ter um CNPJ também ajuda a organizar o pagamento de impostos, dá mais segurança jurídica ao negócio, separa os seus dados pessoais dos dados da empresa e permite construir um histórico de crédito para o negócio.
Inscrições estadual e municipal
Além do CNPJ, dependendo da atividade, a empresa pode precisar de outros cadastros. Negócios de comércio e indústria geralmente precisam de inscrição estadual, enquanto prestadores de serviços costumam precisar de inscrição municipal. Esses cadastros permitem que a empresa recolha os impostos ligados à venda de mercadorias e à prestação de serviços e cumpra as obrigações fiscais do estado e do município onde atua.
Como as exigências, e até o nome de cada cadastro, mudam de um lugar para outro, pesquise o que vale para o seu caso. Um bom ponto de partida é a Secretaria da Fazenda do seu estado e a prefeitura da sua cidade.
Licenças, alvarás e habilitações
Verifique quais licenças e autorizações você precisa para funcionar dentro da lei. Em geral, isso inclui o alvará de funcionamento, concedido pela prefeitura, por isso ela costuma ser o primeiro lugar para se informar. Conforme a atividade, também podem ser exigidas autorizações de órgãos como a vigilância sanitária, o Corpo de Bombeiros ou órgãos ambientais. O Sebrae orienta sobre as exigências de cada tipo de negócio.
Algumas atividades exigem ainda habilitações ou registros profissionais específicos. Quem vai trabalhar com transporte de passageiros ou de cargas, por exemplo, precisa ter a carteira de motorista na categoria adequada ao veículo, e as profissões regulamentadas costumam exigir registro no conselho de classe correspondente. Antes de começar a operar, vale tirar dúvidas com um contador ou com um advogado que atenda pequenas empresas.
Impostos e obrigações fiscais
Comece a planejar os impostos desde o início. A empresa precisa entregar declarações e recolher tributos, e o que se aplica ao seu caso depende do formato escolhido, da atividade e do regime tributário. Além dos tributos federais, pode haver obrigações estaduais e municipais, e, se houver funcionários, também os encargos sobre a folha de pagamento. Vender mercadorias, prestar serviços ou combinar as duas coisas pode levar a obrigações bem diferentes.
Antes de definir seus preços, confirme com um contador quais tributos incidem sobre a sua atividade e inclua esses valores nas contas. Ele também pode ajudar a escolher o regime mais adequado e a manter tudo em dia, e o site da Receita Federal reúne informações oficiais sobre o assunto. Pode ser tentador começar de maneira informal, vendendo apenas pelas redes sociais e recebendo por aplicativos de pagamento, mas construir o negócio sobre uma base organizada desde o início tende a evitar muitos problemas no longo prazo.
7. Abra uma conta bancária empresarial
Para facilitar a gestão financeira, abra uma conta PJ e, se fizer sentido, tenha um cartão de crédito empresarial. Separar as finanças pessoais das finanças do negócio simplifica o pagamento de impostos, facilita o controle do fluxo de caixa e permite automatizar algumas tarefas financeiras do dia a dia. Essa organização é especialmente útil para quem está começando com pouco dinheiro e precisa acompanhar cada centavo.
Na hora de escolher o banco, o porte da instituição pode fazer diferença. Bancos menores, regionais ou cooperativas tendem a conhecer melhor a realidade do mercado local, às vezes avaliam o negócio de forma mais ampla, considerando o perfil do empreendedor e não apenas números, e podem oferecer um relacionamento mais próximo, com mais disposição para conversar se você passar por um aperto. Já os grandes bancos costumam oferecer uma estrutura maior e uma rede de atendimento mais ampla.
Para decidir, pergunte-se o que é mais importante para você, se quer um relacionamento próximo com a instituição e quais serviços e tarifas fazem sentido para o volume e o tipo de operação da sua empresa. Converse com mais de um banco e pergunte como eles atendem pequenas empresas antes de tomar a decisão.
8. Contrate um seguro empresarial
Seguro talvez não seja a primeira coisa que vem à cabeça de quem está abrindo uma empresa, mas lidar com danos ao imóvel ou aos equipamentos, roubos ou processos movidos por clientes pode sair muito caro. Mesmo um negócio que funciona em casa ou que não tem funcionários pode precisar de proteção. Dependendo da atividade, alguns seguros podem ser exigidos por lei ou por contrato, e o tipo de cobertura depende do modelo de negócio e dos riscos que você enfrenta. Talvez seja preciso mais de uma apólice, e novas coberturas podem ser necessárias à medida que a empresa cresce.
Tipos comuns de seguro empresarial
- Responsabilidade civil: protege a empresa contra pedidos de indenização por danos materiais ou pessoais causados a terceiros, como acidentes ligados à atividade do negócio.
- Patrimonial: ajuda caso algum bem da empresa seja danificado ou destruído por incêndio, tempestade ou roubo, cobrindo, conforme a apólice, o reparo ou a reposição de instalações, estoque e equipamentos.
- Veículos da empresa: cobre danos causados ou sofridos pelos veículos usados no negócio, como carros e motos de entrega, caminhões e empilhadeiras. Dependendo da apólice, também pode cobrir danos a terceiros envolvidos em um acidente.
- Vida ou acidentes pessoais para funcionários: ajuda a amparar a equipe e as famílias em caso de acidentes. Em algumas atividades, pode ser obrigatório.
- Responsabilidade civil profissional: protege quem presta serviços, como esteticistas, cabeleireiros e outros profissionais, contra reclamações por erros, falhas ou negligência no trabalho. Também é conhecido como seguro de erros e omissões.
- Responsabilidade civil de produtos: protege fabricantes, atacadistas, distribuidores e varejistas caso um produto fabricado ou vendido por eles cause danos a alguém.
- Lucros cessantes: se a empresa precisar fechar temporariamente por causa de um evento coberto, como um incêndio ou uma enchente, ajuda a pagar despesas fixas, como salários e aluguel, enquanto o negócio não volta a funcionar.
- Seguro cibernético: voltado a empresas que sofrem vazamento ou sequestro de dados. Dependendo da apólice, pode cobrir os custos de avisar os clientes afetados e de dar suporte a quem teve dados expostos.
- Coberturas adicionais: algumas seguradoras oferecem coberturas complementares para custos que ultrapassem os limites das apólices principais.
Para decidir quais seguros fazem sentido, comece entendendo os riscos do seu setor. Depois, pesquise: muitas seguradoras oferecem produtos parecidos, com coberturas e condições diferentes. Se tiver dificuldade para comparar, procure um corretor de seguros habilitado e de boa reputação, que pode ajudar a encontrar uma apólice adequada às necessidades e ao orçamento da empresa.
Se a empresa tiver funcionários, informe-se também sobre as obrigações trabalhistas e previdenciárias. Esse é um bom momento para avaliar opções de plano de saúde e de previdência para você e para a sua equipe.
9. Escolha ferramentas, sistemas e fornecedores
Abrir um negócio exige dar conta de muita coisa ao mesmo tempo, e um bom software é uma das melhores formas de reduzir o trabalho repetitivo da administração do dia a dia. Existem tarefas recorrentes que não exigem muita tomada de decisão? Muitos empreendedores usam sistemas para simplificar ou automatizar esse tipo de trabalho. Há o risco de se perder com ferramentas demais, mas algumas frentes se beneficiam da automação já no primeiro dia.
Ferramentas que ajudam na gestão
- Gestão financeira e contábil: um bom sistema registra receitas e despesas, das pequenas compras do dia a dia às grandes compras de estoque, e gera demonstrações financeiras. Se você vende produtos, procure um que também controle o estoque. Aliado ao trabalho de um contador, é uma das melhores formas de dar ao negócio uma base financeira sólida.
- Relacionamento com o cliente (CRM): organiza as informações sobre quem compra de você, acompanha dados de vendas e marketing e automatiza tarefas como o atendimento e o contato depois da venda.
- E-mail marketing: boa parte das empresas se beneficia de configurar mensagens de boas-vindas e lembretes de carrinho abandonado antes mesmo da primeira venda. Uma lista de e-mails é um dos poucos ativos realmente seus na internet, ao lado da sua loja virtual: ela oferece um canal direto com os clientes que não depende de algoritmos de terceiros.
- Anúncios: pagar por publicidade, especialmente na internet, costuma ser um custo necessário. Ferramentas de marketing reduzem o tempo gasto para criar, testar e acompanhar campanhas e ajudam a aproveitar melhor o orçamento, seja ele grande ou pequeno. Se pretende investir mais em mídia paga, vale conhecer bem cada plataforma.
- Gestão de projetos: mesmo que você trabalhe sozinho, ter um lugar para planejar o trabalho e acompanhar as tarefas importantes ajuda a cumprir prazos. Com equipe, essas ferramentas também ajudam a distribuir tarefas e recursos, e ferramentas de integração permitem conectar sistemas e automatizar os fluxos de trabalho mais comuns.
- Meios de pagamento e ponto de venda: oferecer várias formas de pagamento, como Pix e cartões de crédito e de débito, facilita a vida de quem compra. Compare as opções de maquininhas, sistemas de ponto de venda e serviços de cobrança, inclusive recorrente, para encontrar as taxas e as condições mais adequadas ao seu negócio.
- Site ou loja virtual: escolha um criador de sites ou uma plataforma de comércio eletrônico que facilite as principais tarefas do negócio, com modelos que combinem com a sua linha de produtos e facilitem o recebimento e a gestão de pedidos. Para quem vende pela internet, o desempenho do site, as opções de pagamento e a integração entre canais de venda são pontos especialmente importantes.
- E-mail profissional: endereços de e-mail com o domínio da própria empresa transmitem mais credibilidade.
- Segurança da conexão: empresas que lidam com dados sigilosos podem usar uma rede privada virtual (VPN), que cria uma conexão segura e privada entre o computador e a internet.
Para ver exemplos de serviços que ajudam a organizar arquivos, tarefas, finanças e comunicação, confira nossa seleção de ferramentas e aplicativos para tornar o negócio mais eficiente.
Escolha bem os fornecedores
Administrar uma empresa dá trabalho, e talvez você e sua equipe não consigam dar conta de tudo. É aí que entram os fornecedores e prestadores de serviço: da gestão de pessoal ao sistema de telefonia, há empresas de todos os setores prontas para ajudar. Muitos empreendedores conseguem fazer o controle financeiro sozinhos no começo, por exemplo, mas, à medida que a empresa cresce, contratar um contador ou adotar um bom sistema de gestão economiza tempo e evita erros.
Escolha esses parceiros com cuidado. Muitos terão acesso a informações importantes e, às vezes, sigilosas da sua empresa, então é fundamental poder confiar neles. Antes de fechar negócio, pergunte sobre a experiência no seu setor, o histórico com outros clientes e os resultados que já ajudaram outras empresas a alcançar.
10. Monte sua equipe
Com a estrutura do negócio definida, é hora de pensar nas pessoas que vão ajudar você a tocá-lo. Muitos pequenos empreendedores fazem tudo sozinhos, mas um negócio envolve atividades demais, das operacionais às burocráticas, para uma pessoa só dar conta com eficiência. O ideal é incluir desde o início no plano a ajuda de profissionais qualificados e de confiança, para delegar funções e se dedicar às atividades que só o dono do negócio pode fazer.
Quanto trabalho precisa ser feito e quais habilidades são necessárias para colocar a empresa de pé? As respostas vão orientar o seu cronograma e o quanto você precisará investir no lançamento. Se pretende fazer tudo sozinho, vai esbarrar no limite do seu próprio tempo. Se planeja contratar, coloque na conta os salários e encargos, além do tempo necessário para encontrar, contratar e treinar funcionários ou profissionais autônomos.
Dê à equipe tanta atenção quanto ao produto: afinal, são as pessoas que fazem o produto acontecer. Defina quem vai compor o time inicial, quais competências estão faltando e como e quando preencher essas lacunas. Pense também em como todos vão trabalhar juntos: funções e responsabilidades, divisão de tarefas, forma de dar retorno uns aos outros e de colaborar quando nem todos estão no mesmo lugar. Se parte da equipe trabalha a distância, use ferramentas de mensagens e de videochamada e combine regras claras para a comunicação fora do horário de trabalho.
Funções que você pode querer contratar
- Responsável pelo estoque: mantém o controle dos produtos sempre atualizado.
- Atendimento ao cliente: resolve dúvidas e problemas dos clientes.
- Gestor de redes sociais: gera interesse pela marca e fortalece a presença on-line.
- Especialista em anúncios: atrai visitantes para o seu site ou loja.
- Designer gráfico: cria peças para os materiais de marketing.
- Profissional de marketing e conteúdo: planeja e escreve textos para e-mails, site e outras campanhas.
Onde encontrar profissionais
Sites de vagas e plataformas de recrutamento permitem publicar anúncios, selecionar currículos e até fazer entrevistas por vídeo. Redes sociais profissionais, como o LinkedIn, também ajudam a encontrar candidatos, e plataformas de freelancers são uma boa saída para projetos pontuais ou de curto prazo. Outra opção é terceirizar tarefas como atendimento ao cliente, gestão das redes sociais ou contabilidade.
Na hora de contratar, lembre-se de que o mais barato nem sempre é o melhor: os bons profissionais são disputados, e, em geral, você recebe pelo que paga.
11. Divulgue seu negócio
Antes de começar a vender, construa sua marca e conquiste um público disposto a acompanhar você desde o primeiro dia, quando as portas do negócio, físicas ou virtuais, se abrirem. Muitos empreendedores gastam tanto tempo e dinheiro desenvolvendo o produto que chegam ao lançamento sem orçamento nem plano de marketing, e esse trabalho, principalmente no começo, é tão importante quanto entregar um produto ou serviço de qualidade.
Construa sua marca
Construir uma marca do zero nunca é fácil, mas se destacar em meio à concorrência é fundamental. Marca não é só logotipo e nome: é a forma como as pessoas percebem a sua empresa sempre que têm contato com ela. Os elementos mais comuns são:
- Logotipo: símbolo formado por texto e imagem que identifica o negócio. Um bom logotipo transmite os seus valores, comunica o que você faz e deve ser usado de forma consistente em todos os canais.
- Cores e fontes: junto com o logotipo, formam a identidade visual da empresa. Elementos visuais despertam emoções e ajudam a reforçar a imagem e a experiência que a marca oferece.
- Voz, tom e mensagens: uma forma de se comunicar consistente e reconhecível em todos os pontos de contato humaniza a marca e ajuda a criar uma conexão mais pessoal com o público.
- Posicionamento: deixa claro quem você atende e mostra ao seu público por que você é a melhor escolha e o que torna o seu produto diferente.
Crie um site ou loja virtual
Muitos consumidores pesquisam na internet antes de comprar, e um site funciona como prova de que o seu negócio existe. Ter presença on-line transmite confiança, facilita o contato com a empresa, inclusive para quem não pode ir até uma loja física, e é uma ótima forma de se relacionar com clientes atuais e futuros. Um erro comum entre iniciantes é encarar o site como gasto, e não como investimento; quem entende a importância de uma boa presença on-line já começa com vantagem.
O site pode ser apenas informativo ou uma loja virtual que vende produtos pela internet. Se você vende em um ponto físico, inclua uma página com endereço e horário de funcionamento. Outras páginas úteis são “Sobre nós”, produtos ou serviços, perguntas frequentes, blog e contato. Existem várias plataformas que permitem criar um site sem precisar programar; compare custos, recursos e suporte e verifique se a plataforma oferece:
- Site próprio com domínio personalizado
- Certificado SSL, que garante uma conexão segura
- Recuperação de carrinhos abandonados
- Hospedagem rápida e confiável
- Aplicativos e integrações para marketing, vendas e atendimento
Apareça nas buscas
Com o site no ar, trabalhe a otimização para mecanismos de busca (SEO), para que ele apareça quando alguém procurar pelo que você vende. É uma estratégia de longo prazo, então não espere muitos visitantes vindos das buscas logo no início. Publicar conteúdo útil e relevante, como vídeos, depoimentos de clientes, artigos e apresentações, ajuda os clientes a encontrar respostas para suas dúvidas e reforça esse trabalho, e vale manter o site sempre atualizado.
Cadastre também a empresa em diretórios on-line que as pessoas usam para encontrar negócios locais, como o Perfil da Empresa no Google e as páginas de negócios das redes sociais. Algumas cidades e associações comerciais têm guias próprios, e há diretórios específicos de cada setor.
Use as redes sociais
Seus potenciais clientes usam as redes sociais todos os dias, e você também precisa estar lá. Publique conteúdo interessante e relevante para o seu público e use as redes para levar as pessoas até o seu site, onde elas podem conhecer melhor o que você faz e comprar. Você não precisa estar em todas as plataformas: a melhor escolha depende do seu público-alvo. Facebook e Instagram, por exemplo, têm recursos voltados a empresas, como catálogo de produtos, e oferecem materiais gratuitos para quem quer aprender a anunciar.
Crie um plano de marketing
Conforme a data de lançamento se aproxima, monte um plano de marketing que vá além do lançamento. Ele ajuda o negócio a encontrar o seu público, formar uma base de clientes e manter as ações de divulgação funcionando ao longo do tempo. Um plano de marketing costuma incluir:
- Um resumo executivo com a visão geral do plano
- Uma declaração de missão e visão, com os objetivos gerais e a filosofia do negócio
- Metas específicas que você quer que a empresa alcance
- Uma análise SWOT, para entender o que está funcionando e o que precisa melhorar
- Pesquisa de mercado, para conhecer melhor o setor, os possíveis clientes e os concorrentes
- Um orçamento para manter as finanças sob controle
Peça permissão para se comunicar com os clientes
Ao construir sua lista de contatos, peça autorização aos clientes e interessados para enviar comunicações. O jeito mais simples é um formulário de inscrição em que a pessoa informa seus dados e autoriza a empresa a enviar novidades, materiais de divulgação e ofertas. As pessoas já recebem uma enxurrada de mensagens todos os dias, e deixar que elas escolham, de forma transparente, receber o seu conteúdo é um bom começo para construir uma relação de confiança.
Lembre-se de que o uso de dados pessoais segue as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Explique com clareza como as informações serão usadas, guarde esses dados com cuidado e ofereça sempre um jeito simples de a pessoa deixar de receber suas mensagens. Com uma lista construída dessa forma e um bom CRM, campanhas de e-mail bem planejadas ajudam muito a atrair clientes e a manter contato com o público.
Como impulsionar as primeiras vendas
Todo o preparo feito até aqui cria uma base sólida para o lançamento, e agora você pode se concentrar nas campanhas de marketing e na primeira venda. Algumas formas de ganhar tração:
- Use sua rede de contatos: comece divulgando o negócio nos canais gratuitos que você já tem, como suas redes sociais pessoais e sua lista de contatos. Mandar mensagens individuais pedindo apoio, que pode ser algo tão simples quanto um compartilhamento, já ajuda bastante a ganhar visibilidade.
- Ofereça descontos: recompensar os primeiros clientes e quem segue a marca nas redes com cupons que caibam na sua margem de lucro ajuda a ganhar tração, sobretudo quando o negócio é novo e ainda tem poucas avaliações de clientes.
- Experimente anúncios pagos: mesmo com um orçamento pequeno, a publicidade paga pode ser uma das formas mais eficientes de alcançar o público ideal. Testar desde cedo e aprender com os resultados ajuda a aumentar as primeiras vendas e a melhorar o desempenho dos anúncios conforme o negócio cresce.
Depois do lançamento: faça o negócio crescer
O lançamento e a primeira venda são só o começo da jornada. Para ter lucro e viver do próprio negócio, você vai precisar trabalhar continuamente para ampliar a base de clientes e a receita: reforçar o marketing, melhorar o produto ou serviço e acrescentar novos produtos que complementem o que você já oferece.
Parcerias são uma ótima forma de crescer. Procure empresas que complementam o seu trabalho ou que atendem o mesmo público com produtos diferentes: um organizador de casamentos pode se unir a floristas, fotógrafos e bufês para oferecer um pacote completo aos clientes; um web designer pode trabalhar com uma agência de marketing digital; uma loja de roupas femininas pode fazer ações com uma joalheria ou um salão de beleza. Uma loja virtual, por sua vez, pode contratar uma empresa de logística que cuide do armazenamento e do envio dos pedidos, o que ajuda a economizar e a entregar mais rápido. Propor ações de divulgação conjunta com marcas já estabelecidas, em troca de amostras dos seus produtos ou serviços, ou apoiar uma instituição de caridade, doando tempo ou produtos, também ajuda a tornar o seu nome conhecido.
Automatize ou terceirize as tarefas que tomam muito tempo, como contabilidade, e-mail marketing e gestão das redes sociais, para se concentrar no crescimento. E continue de olho nas finanças: se o negócio não estiver gerando dinheiro suficiente para cobrir as despesas, será preciso reduzi-las ou encontrar formas de aumentar a receita. Veja também nossas dicas de fluxo de caixa e gestão financeira para o seu negócio.
Por fim, esteja pronto para fazer ajustes. Um velho ditado diz que nenhum plano sobrevive intacto ao primeiro contato com a realidade: você pode ter o melhor planejamento do mundo, mas, quando o negócio começa a rodar, as coisas mudam, e é preciso agir, se adaptar e resolver problemas. No fundo, o valor de quem empreende está justamente nisso: resolver problemas, sejam os dos clientes, por meio do seu produto ou serviço, sejam os que surgem dentro da própria empresa.